PRA COMEÇAR

Dizem que escrever ajuda a exorcisar a dor. Então vamos tentar. O objetivo deste blog no momento é este, mas escolhi este nome porque tenho certeza de que ele vai mudar de assunto a qualquer momento. Como possivelmente viajarei bastante a trabalho neste começo de ano e depois a passeio nas férias, vou aproveitar o espaço pra deixar também uma espécie de diário de viagem. É um blog meio egoísta, com objetivo único de contentar a própria dona, de registrar pensamentos, de fazer reflexões. Sem maiores pretensões de ser extremamente visitado. Não que visitantes não sejam bem vindos, ao contrário. Mas é que como a única referência deste blog está no meu profile do Orkut, é possível que somente uns poucos amigos desavisados venham me visitar. A esses poucos amigos, que fiquem à vontade para comentar e sugerir. Senão, já valeu pela oportunidade de escrever. E como o momento é meio triste, resolvi começar com um texto batidíssimo, que vem circulando já há muito tempo, que eu não sei de quem é, mas que serve perfeitamente no momento:

A dor que mais dói.

Trancar o dedo numa porta dói. Bater com o queixo no chão dói. Torcer o tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé, doem. Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim. Mas o que mais dói é a saudade. Saudade de um irmão que mora longe. Saudade de uma cachoeira da infância. Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais. Saudade do pai que morreu, do amigo imaginário que nunca existiu. Saudade de uma cidade. Saudade da gente mesmo, que o tempo não perdoa. Doem essas saudades todas.
Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama. Saudade da pele, do cheiro, dos beijos. Saudade da presença, e até da ausência consentida. Você podia ficar na sala e ela no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá. Você podia ir para o dentista e ela para a faculdade, mas sabiam-se onde. Você podia ficar o dia sem vê-la, ela o dia sem vê-lo, mas sabiam-se amanhã.
Contudo, quando o amor de um acaba, ou torna-se menor, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter. Saudade é basicamente não saber. Não saber mais se ela continua fungando num ambiente mais frio. Não saber se ele continua sem fazer a barba por causa daquela alergia. Não saber se ela ainda usa aquela saia. Não saber se ele foi na consulta com o dermatologista como prometeu. Não saber se ela tem comido bem por causa daquela mania de estar sempre ocupada, se ele tem assistido às aulas de inglês, se aprendeu a entrar na Internet e encontrar a página do Diário Oficial, se ela aprendeu a estacionar entre dois carros, se ele continua preferindo Malzebier, se ela continua preferindo suco, se ele continua sorrindo com aqueles olhinhos apertados, se ela continua dançando daquele jeitinho enlouquecedor, se ele continua cantando tão bem, se ela continua detestando o MC Donald's, se ele continua amando, se ela continua a chorar até nas comédias.
Saudade é não saber mesmo! Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche. Saudade é não querer saber se ela está com outro, e ao mesmo tempo querer. É não saber se ele está feliz, e ao mesmo tempo perguntar a todos os amigos por isso... É não querer saber se ele está mais magro, se ela está mais bela. Saudade é nunca mais saber de quem se ama, e ainda assim doer. "Em alguma outra vida, devemos ter feito algo de muito grave, para sentirmos tanta saudade..."

 

 




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