O CD Novo do Ministro

 

                                        

  

Eu confesso que nunca gostei muito de Gilberto Gil. Fora uma música ou outra que eu acho bacana, nunca fui o que se pode chamar de uma grande admiradora da obra de Gil.

Mas o último CD do Ministro, Eletroacústico, que eu ouvi meio sem querer na Rádio da TAM na volta de Campo Grande, me surpreendeu. Não que ele tenha maiores novidades, as músicas são em sua maioria regravações. Mas com arranjos tão bacanas e tão dançantes (é, vocês leram direitinho, eu ando assim numa fase, digamos... mais dançante) que não resisti e no sábado mesmo fui comprar um pra mim. Destaque especial para a regravação mais bacana que o original de Soy Loco por ti, América, para a música “La lune de Gorée” e para o Ministro cantando Maracatu Atômico (...), que na voz de Chico Science, fez parte do disco que foi escolhido como um dos 10 melhores dos últimos tempos. Mas isso já é assunto pra outro post, outro dia.

 

E por falar nele...

PARIS, 18 jan (AFP) - O programa do "Brasil, Brasis - o Ano do Brasil na França", que será realizado de março a dezembro, foi apresentado esta terça-feira, em Paris, pelo ministro brasileiro da Cultura, Gilberto Gil, e os ministros franceses das Relações Exteriores, Michel Barnier, e da Cultura e Comunicação, Renaud Donnedieu de Vabres. "A diversidade cultural e a modernidade" é o tema que presidirá as numerosas manifestações culturais e artísticas organizadas durante o Ano do Brasil na França, que será ocasião também, no mês de julho, de uma visita a Paris do presidente Luiz Inácio Lula da Silva."Trata-se de propor ao longo deste ano uma parte significativa da variedade e da intensidade da cultura brasileira, apresentando-a sem filtros e sem estereótipos", declarou Gilberto Gil.

As manifestações serão organizadas em três capítulos. O primeiro, "Raízes do Brasil", permitirá uma aproximação das identidades indígenas, da herança africana, dos tesouros do barroco e das inspirações da música popular brasileira.O segundo vai propor seguir os passos da "Verdade Tropical" através da criatividade dos músicos brasileiros e de inúmeras reuniões sobre a diversidade cultura, o meio ambiente ou a cidadania.Por fim, o terceiro, "Galáxias", será uma incursão na criação contemporânea brasileira em todos os domínios, do teatro às artes plásticas, passando pelo cinema, dança e fotografia."Quantos Brasis para fazer um Brasil?", questionou Michel Barnier, citando uma canção de Lenine compôs para este evento."O Ano do Brasil na França é um verdadeiro convite a viajar por esse país plural, descobrindo suas raízes, vibrando com sua música e percorrendo os múltiplos caminhos de sua criação", acrescentou Barnier."Mais do que descoberta, é redescoberta, já que o Brasil sempre fascinou os franceses", acrescentou o ministro, recordando que França e Brasil estão unidos por fortes vínculos históricos e culturais e têm, além disso, uma fronteira comum, a Guiana Francesa.

 

Nos já somos moda por lá: este ano os amigos não pediram nem pó pra fazer caipirinha, nem biquíni, nem café. Todo mundo só quer saber de me pedir duas coisas: um par de havaianas coloridíssimas, e uma camiseta amarela, com um Brasil bem grande escrito no meio em verde, a última moda do verão de Paris: pode?

Estamos todos por um fio?

 

Acabei de ler o livro “Por um Fio”, de Dráuzio Varella com um nó na garganta. Para quem ainda não sabe, o livro conta as experiências do Dr. Dráuzio Varella (que além de aparecer no Fantástico falando sobre obesidade é um renomado oncologista) no tratamento de pacientes em estado terminal, e sobre as diferentes reações do ser humano diante a possibilidade real de morte próxima. Mas o livro conseguiu superar as expectativas neste sentido. Quando li a resenha já tive a impressão de que não seria uma leitura leve.Talvez por tratar de um assunto que normalmente não merece muito tempo de reflexão. Ou alguém aí no auge da paixão, no meio de um grande projeto de trabalho, ou tomando sol na praia, pára pra refletir sobre a finitude do ser humano?  É no mínimo incômodo, aos 20 ou 30 anos, com saúde, projetos, amigos e família, pensar num tempo em que as limitações físicas serão maiores, as possibilidades de novos projetos - principalmente à longo prazo - serão cada vez mais escassas e principalmente, a chamada família de origem e a maioria dos contemporâneos não mais existirão. Aos 60 ou 70 anos, é possível que aquele enredo do outro post esteja recheado de histórias emocionantes, pitorescas, engraçadas... e que seus netos não terão a menor disposição para ouvir.

É reconfortante dizer que cada idade tem suas dores e suas delícias, mas pelo menos para mim é difícil pensar em um tempo onde não se pode mais fazer projetos pra daqui a 10 anos, nem pular de asa delta, nem subir em árvore, um tempo onde não terei as inúmeras possibilidades que eu tenho ainda hoje. Talvez o livro tenha me feito refletir sobre a importância de não desperdiçar o tempo pensando naquilo que poderia ter sido, ou naquilo que ainda será. Quantas oportunidades de fazer alguma coisa agora perdemos pensando que a vida poderia ter sido diferente se tivéssemos feito outras escolhas no passado? Ou pior ainda: quanto tempo desperdiçamos, sem aproveitar a felicidade que está diante de nós, pensando que alguma coisa poderá acontecer e perdermos o que temos mais adiante? De vez em quando a gente problematiza demais, teoriza demais, sofre por antecipação. E esquecemos de celebrar a vida que está aí, inteirinha pela frente.

 

 O Show do Maestro

 

 

Fui ontem assistir ao show de Francis Hime que faz parte do projeto “Chico Buarque: o tempo e o artista”, que já havia citado num post anterior. E fiquei encantada com o talento de um artista que eu obviamente conhecia, mas que talvez não desse a atenção merecida. Hime não limitou-se às suas parcerias com Chico. Além dos clássicos “Vai Passar” e “Atrás da Porta”, com arranjos esmeradíssimos, pude apreciar uma tocante interpretação de “Trocando em Miúdos”, uma das minhas músicas preferidas do Chico, uma versão de “Minha” e diversos sambas, com destaque para “Tereza sabe sambar”, parceria de Hime e Vinícius de Moraes. Foi um show agradabilíssimo, marcado pela simpatia de Hime, que demonstrou estar em ótima forma, e pela competência dos músicos que o acompanham, que nem a queda de energia de vinte minutos que paralisou a apresentação conseguiu ofuscar. Sem dúvida alguma, uma apresentação imperdível.




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