O Casamento Merengue

 

Momento revista de fofoca, que nem só de política, economia, cinema e literatura vive a humanidade: acontece hoje, finalmente o casamento de Ronaldinho e Daniella Cicarelli. Digo finalmente porque enfim estaremos, dentro de poucos dias, livres deste assunto em todos os jornais, revistas e noticiários deste país. O Carnaval feito com o casamento no Brasil dá a impressão de que o mundo inteiro está dando a mesma atenção ao assunto. Não está.  Primeiro porque o casamento do ano, na Europa, (se é que este título tem alguma importância) é com certeza o do Príncipe Charles e de Camila, e amigos parisienses dão conta de que a imprensa francesa chama o casamento de “casamento merengue”. Merengue na França, é uma gíria utilizada para algo muito cafona e de pompa exagerada. E o que dizer de um casamento onde foram convidados pessoas que nem o noivo nem a noiva conhecem só para rechear a lista de “celebridades”? Segundo porque o frenesi criado no Brasil pelo local da festa, dá a falsa impressão de que o Castelo de Chantily abriga pela primeira vez um evento deste tipo. Só que o castelo é alugado para eventos já há mais de vinte anos.E certamente já foi utilizado para propósitos muito mais nobres, como por exemplo a invenção do Chantily, por M. Vatel. Que eu acho muito mais importante do que o “casamento do ano”.

Santa Curiosidade

 

Curiosidade é uma característica que às vezes ajuda. Nos impulsiona a descobrir coisas novas, a experimentar sensações, lugares, comidas diferentes. Mas mal-orientada resulta num final de semana como este que eu tive. No sábado recebi um convite para o aniversário de um amigo de um amigo. A festa foi realizada numa casa noturna da Vila Olímpia. Para quem não mora em Sampa, a Vila Olímpia é um reduto da “juventude bem-nascida” de Sampa, com todos os inconvenientes inerentes ao termo: homens com gel no cabelo, corrente de ouro e camisa pra dentro da calça, meninas de tubinho preto e salto doze, só pra dar idéia do clima. Em suma, um horror. Sabedora de tudo isso, resolvi, movida pela tal curiosidade, arrastar Cláudio comigo para a tal da festa. E confirmei todas as minhas impressões sobre o clima da Vila Olímpia. No domingo, Cláudio – que a esta altura já podia ser chamado de Cláudio, o sensato -, me convidou para assistir um filme chamado Contra a Parede, vencedor do Urso de Ouro em Berlim do ano passado e que tem recebido diversos elogios da crítica. Contrariando toda a lógica, e movida pela tal da curiosidade (sempre ela), insistir em assistir Sideways – Entre umas e outras – filme indicado ao Oscar e a 7 Globos de Ouro. Que discordem os mais entendidos de cinema que eu – a maioria-, mas eu achei uma verdadeira bomba, Sideways é um filme que não se decide: tem a pretensão de ser requintado, cabeça e engraçado ao mesmo tempo – e falha em todas as tentativas. A trajetória de um homem traumatizado pelo fim de um casamento, e de outro às vésperas de se casar, é de uma previsibildade irritante. Salvam o filme as locações (vinícolas no Sul da Califórnia) e os diálogos didáticos sobre vinho – em especial para mim, que nem um curso inteiro de sommelier conseguiu salvar da mais completa ignorância sobre o vinho certo para cada refeição.

Sorry, Cláudio,  prometo que semana que vem vamos fazer o programa que você escolher. :-))

Mas valeu pela experiência. E se alguém souber, que mesmo depois de ter lido três livros de Paulo Coelho, e detestado todos, eu saí para comprar o seu novo livro (O Zahir, lançamento no Brasil dia 02 de Abril), pode mandar prender, porque aí já não é mais curiosidade: é burrice crônica mesmo.




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