Vamos falar de coisa boa?
Eu gosto de...
Bolo de chocolate, carinho, beijo na boca, champagne gelado, cheiro de roupa limpa, abraço bem apertado, beijo no pescoço.
Gosto de ter amigos, sempre, vários, de todos os tipos, cores, orientações sexuais. Quanto mais, melhor.
Gosto de gente simples, que te olha nos olhos e sorri aberto. Adoro quando se preocupam comigo. Amo fazer aniversário, bolinho de queijo e fazer amor, muito e sempre.
Adoro falar em francês, ouvir música francesa, cultura francesa. Adoro a França.
Gosto de cerveja, de mesa de bar pra falar bastante besteira. De filme de arte, de cumplicidade, de fazer uma loucura de vez em quando. Gosto de transar onde não pode, de banho de chuva, de cheiro de terra molhada e de discussão inteligente. Gosto de tomar banho junto e de demonstrar carinho, afeto, amor e paixão.
Amo carnaval, show onde a gente pode dançar muito, passeio de moto na Bahia, pique-nique no jardim botânico, gente inteligente e muito simples, apesar disso.
Aliás, gosto da felicidade gostosa que só as coisas mais simples nos dão.
Amo sorriso de criança, uma certa receita chique de macarrão, gosto de fazer e receber cócegas na cama numa manhã preguiçosa. Amo namorar no carro, ir ao teatro, a uma praia bem linda tendo um dia inteiro pra fazer nada.
Gosto de me sentir em paz e também de estar loucamente apaixonada. Amo jornalismo, amo escrever, amo aprender.
Adoro sinceridade, gente que se importa e a coxinha da minha mãe. Adoro perfume francês, calça jeans e anel prateado. Gosto de jazz e de Chico Buarque, sempre. Gosto de milhares de outras coisa, totalmente impublicáveis. :-)
Gosto de cheiro de mato, de me lambuzar com uma panela de brigadeiro, adoro passar o dia na casa do namorado, fazendo amor, comendo besteira, olhando nos olhos e conversando, muito e sempre. Gosto de mão na perna enquanto dirige. Fico felicíssima quando o melhor amigo me chama de Fávlia, quando comentam no meu blog e quando meus amigos me fazem elogios, mesmo sem saber se é verdade, sei que são sinceros. Gosto de tatuagem, em especial da minha, de asa delta, de macaxeira frita, de farofa de jerimum, do pernil do Cervantes, amo viajar. De Salvador, de Recife, do Rio, de Sampa e de Paris, cada um com sua graça. Amo quando a minha sobrinha me abraça. Gosto de vinho, gosto de curtir um friozinho abraçada. E amo muito a minha trajetória até aqui, com tudo de bom e de ruim que ela tem.
Boa essa vida, né?
O real e as expectativas.
Ontem fui pra faculdade assistir a uma palestra que eu estou esperando desde o momento que eu vi o cartaz afixado pela primeira vez: Caio Túlio Costa, jornalista que dispensa apresentações, além de ser professor de ética na faculdade onde eu estudo, ia dar a aula inaugural do curso. Como bem antes de saber de tudo isso, eu estava lendo um livro chamado o Relógio de Pascal, onde ele conta um pouco sua experiência como o primeiro ombudsman da imprensa brasileira, criei uma expectativa de que ele fosse falar um pouco sobre isso. Tinha até rascunhado algumas perguntas sobre o assunto. Qual não foi minha surpresa, quando eu notei que a aula dele nada a tinha a ver com isso, mas sim com a mais elementar das constatações para um estudante de jornalismo: a de que, antes de querer aprender as técnicas do ofício, é preciso embasamento teórico que possibilite um posicionamento crítico frente aos fatos.
Apesar de não ter sido nada daquilo que eu esperava, a aula me fez refletir sobre o assunto de outra forma: sobre o quanto a maior parte das frustrações que sentimos tem a ver não com o outro, mas com as expectativas que geramos com relação a este outro.
Por exemplo,só pra ficar no campo mais comum, o dos sentimentos, e explicando aos mais paranóicos que não tem nada de auto-biográfico, não estou falando nada de específico sobre ninguém. Você acha um cara bacana: simpático, inteligente, divertido. Vocês ficam juntos, é divertido, ele beija bem. Pelo certo, o que você faria? Curtiria o momento, o fato de ter alguém bacana, pelo menos por um tempo, pra dividir as tristezas, as alegrias, para ir ao cinema de mão dada. Mas não. Você projeta. Idealiza, imagina, começa a enxergar características que você quer, e não que o outro necessariamente tem. E daí pro sofrimento, pra frustração, é um pulo. Aí a gente sofre não pelo que o outro não tem, mas pelo que deixou de viver: nos frustramos pelos passeios que não fizemos com o outro, pelas viagens que não curtimos, pelos beijos que não foram dados.
Você espera muito um fim de semana na praia, uma festa, o dia de ver alguém. E quando isso acontece e é normal, não fantástico, só normal, você se frustra. Projetou outra vez. E projetando, se frustra, na maioria das vezes.
O contrário também acontece: eu sou uma pessoa normal, com defeitos e qualidades, e sabe Deus o esforço que eu faço pra me aprimorar, pra amadurecer. E vez por outro me deparo com alguém: um amigo, um namorado, que espera demais, que me imagina quase perfeita: inteligente, sensata, espirituosa.Alguém que me imagina alguém totalmente segura, totalmente centrada, permanentemente bem-humorada. E alguém lá agüenta a pressão de uma expectativa dessas?
Bom vai ser o dia em que todo mundo começar a curtir cada momento bacana, por mais bobo que seja, sem esperar mesmo muita coisa de nada nem de ninguém. Porque aí pode se surpreender.
Ai, o tal do namorado...
Às vezes me perguntam por aí, porque depois de quase 3 meses do fim do meu namoro, eu ainda continuo sem namorado, embora é claro, me divirta por aí.
Costumo responder com um texto do Drummond que diz, entre outras coisa, que namorado é a mais difícil das conquistas, porque requer pele, lágrimas, suor, cumplicidade.
E lendo um post da Lu, lá no Jardim das Violetas (link nos blogs amigos), essa impressão ficou ainda mais forte.
Namorado tem que ser ESPECIAL. Assim, em maiúscula mesmo.
O que é ser especial? Primeiro, tem que ser inteligente. Homem burro não dá. Sensibilidade é essencial. Pra entender semanas complicadas, TPM, ataques de insegurança. E ser ao mesmo tempo forte, não no sentido físico, mas de proteção. Tem que ser bem informado, gostar de cinema, de arte, de ler. E ao mesmo tempo não cair no pedantismo de quem acha que conhece algum assunto a fundo. Tem que ter seriedade pra discutir política e economia. E leveza pra fazer cócegas na cama, tomar sorvete se lambuzando, rir de piada boba. Ele tem defeitos, sim, que no príncipe encantado hoje ninguém mais acredita.
Tem que sugerir idéias para aqueles problemas bobos do dia-a-dia, tem que abraçar apertado, fazer carinho escondido no cinema, topar loucuras por aí, e às vezes até tentar por um pouco de juízo nesta minha cabeça. E não vamos ser hipócritas nem sutis e deixar de tocar no assunto. Tem que gostar de transar. Muito e com carinho, por favor.
Namorado tem, essencialmente, que ficar. Porque namoro é compromisso, não só no sentido da fidelidade, mas de entender o outro com seus defeitos e qualidades.
Namorado precisa gostar de tomar vinho abraçado nas noites de frio, e cerveja com os amigos na noite de calor. Reservar espaço pra ficar só comigo, e ter tempo só pra os amigos dele. Tem que dar atenção. Não aquele que manda flores a cada cinco minutos e que te leva pra todos os lugares caros da cidade. Mas o que tem a sensibilidade de te mandar um bilhete, comprar um livro que você gosta, e de dizer, muitas vezes, o quanto você é linda.
Eu não posso me queixar. Apesar de ter tido os namorados cafajestes, tive, em sua maioria, namorados assim.
E é em nome de tudo isso que eu continuo assim, solteira. Saindo com um, ficando com outro, me divertindo. Mas esperando o momento em que vai aparecer de novo alguém que mereça o título de NAMORADO.
PS: Eu sei que aí já é exagero, mas se além de tudo isso, ainda puder ter aquela barba por fazer, usar óculos e gostar do Chico, aí é rendição completa. ;-)
“Chico Buarque, o tempo e o artista” – Parte II (a missão)
“...se não gostar das modificações foda-se, ou então quem me fode sou eu...” Esta e outras frases inusitadas estão no acervo da exposição “Chico Buarque: o tempo e o artista”, em cartaz no Sesc Pinheiros até o dia 13 de março. Eu já havia feito um post há um tempo atrás dizendo que esta exposição viria para Sampa, mas somente neste sábado, tive tempo de conferir o primeiro andar da exposição com mais calma. E, como fã incontestável de Chico, amei ver o manuscrito de “Apesar de você” (1970) e a letra de “Deus lhe pague” (1971), com o carimbo de vetado e a justificativa do veto pela censura. Outra curiosidade do primeiro andar da exposição são os cartões de Natal enviados ao Chico em 1979 e 1980 pelo “Comando de Caça aos Comunistas”, desejando “um péssimo Natal e que no novo ano se realize nosso acerto final”. A frase com que iniciei este texto está numa carta de Chico à Vinícius de Moraes, respondendo sobre as alterações que Vinícius queria fazer na música “Valsinha” (1971), inclusive de título, para “Valsa Hippie”. As alterações não foram feitas. Mas sobrou o registro inusitado da correspondência trocada sobre estas alterações.
Além disso, a mostra tem programado exibições de shows antigos do Chico, e uma série de cursos como jornalista Carlos Rennó sobre algumas músicas de Chico. Sábado foi a vez do curso sobre a música “O Futebol”, que apesar de pouco conhecida é de uma riqueza de detalhes na composição das rimas, por exemplo, incomparável. E no sábado que vem, as músicas analisadas serão “O que será”, “Atrás da Porta”, “Bárbara” e “Olhos nos Olhos”. Com certeza estarei lá. E aí vou poder visitar o resto da exposição e posto aqui na semana que vem.
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