Momento meio ácido – mas realista.

 

 

Todo dia é o mesmo dia,
a vida é tão tacanha

Toda noite é a mesma noite,
a vida é tão estreita
Todo mundo quer saber
com quem você se deita
nada pode prosperar

 

(A Luz de Tieta – Caetano Veloso)

 

Acho que eu vou lançar a campanha Flávia contra tudo o  que é provinciano. Funciona assim: existem milhares de questões sérias e importantes no mundo, além da própria vida – que já não é facil – pra se cuidar. Mas o que mais importa algumas pessoas que estão a minha volta? Questões como quem dorme com quem, se alguém é ou não gay, se o sapato da Fulana é ou não bregoso. Não estou aqui fazendo nenhuma campanha pró-seriedade. Qualquer um sabe que falar um monte de besteiras reunida com as amigas, é simplesmente uma delícia. E atire a primeira pedra quem nunca fez isso. E amigas são um caso a parte. As minhas, por exemplo, tem total liberdade de dizer que uma roupa não caiu bem ou de perguntar sem rodeios com quem eu estou saindo.

Mas quando alguém consta na sua lista de “conhecidos com quem eu converso super pouco e não tenho a menor intimidade” acha que tudo bem perguntar se você dorme com Fulano só porque viu vocês dois batendo papo num bar, ou pior ainda, quando uma reunião de trabalho é interrompida por alguém que te pergunta se você acha que Beltrano é gay, realmente eu me sinto de outro mundo. E se alguém te pergunta assim do nada, quanto você ganha? E se alguém que você viu duas vezes no corredor te pergunta porquê você estuda Jornalismo se trabalha com Direito? Ou porque prefere juntar a se casar de vestido de noiva na Igreja (se me conhecesse minimamente saberia que eu não sou nem católica)?

Então, já que não dá mesmo para fazer campanha contra o provincianismo, esclareço a quem interessar possa:

 

* Eu não pretendo me casar de noiva

* Eu amo jornalismo

* Eu não durmo com o moço que estava comigo no bar, e não estou preocupada com quem meros conhecidos estão dormindo

* Eu não sei se Beltrano é ou não gay, mas deixo desde já extremamente claro que tenho montes de amigos e acho todos umas gracinhas, independente de serem ou não gays. O que meus amigos fazem na cama realmente não povoa os meus pensamentos diários, exceto é claro, se eles quiserem me contar.

* Salário é coisa que não se pergunta nem pra amigos muito íntimos. Meninas, elegância e discrição é tudo!!

* Se eu estou trabalhando concentradamente, fazendo um cálculo de um contrato, é possível não perguntar seu eu acho que a Fulana comprou o sapato em alguma liquidação barata? A Fulana compra onde ela quiser – e se souber de uma liquidação boa que me avise.

* Antes que alguém me pergunte, não acho cafona alguém que se veste completamente diferente do padrão estabelecido. Mas acho super cafona – e provinciano – comentar.

 

Respondidas estas questões que abalaram a humanidade, podemos tratar de outros assuntos - mais divertidos e mais proveitosos?

 

PS: Desculpem se parece mau humor, e principalmente pelo post meio longo, mas vocês não se sentem assim às vezes?

E não é que funciona?

 

Têm dias em que o mundo parece simplesmente funcionar. Para compensar os dias de TPM, de salto quebrado, de namorado que dá no pé, de dor de cabeça, de espinha no rosto... Tem dias que são como hoje. Você levanta de manhã, abre uma gaveta e acha aquele batom Mac que estava perdido há semanas. Toma um banho, a roupa cai perfeitamente, a pele não tem uma só espinha e vai pro trabalho. Consegue resolver mil pendências já na parte da manhã, e aquela entrevista que achou que fosse ter que suar pra conseguir está ali: lindamente marcada para um dia depois do meu aniversário, em um horário super favorável. Recebe um telefonema, e surpresa, não é uma cobrança, nem um fornecedor chato. É alguém avisando que as passagens da viagem para Natal nas férias estão mais do que confirmadas. Abre o blog de uma amiga, e descobre que até ser invejada tem seu lado positivo. Os amigos vão bem, o cabelo brilha, e ao som de “Got to be real” (que é brega, mas me dá uma estranha animação que vem não sei de onde) vai almoçar no restaurante mais bacana da região, tomando um vinho delicioso, com um amigo que não via há séculos... E que me dá de presente de aniversário adiantando os Dvd’s da minha temporada preferida de “Sex and the City”.

Em comemoração ao fato de que tudo vai bem, chuta o balde, e vai mesmo é ser fútil conscientemente uma vez na vida. Passa na perfumaria mais próxima e faz um estrago com gosto: shampoo, condicionador e todos os milhares de cremes que sempre teve vontade de usar no cabelo. Tudo do mais cheiroso – e mais caro. Sem um pingo de culpa. Porque compartilhar tristezas neste blog é fácil. Mas hoje é dia de falar das coisas boas, dos pequenos prazeres da vida. Como ter 25 anos – só por mais alguns dias - e ver tudo funcionar lindamente. Pelo menos por hoje.




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