Antes de abrir o post, já vou logo avisando que não se trata de aviso, indireta ou recadinho para ninguém – até porque eu não sou disso.
Mas a verdade é que observando alguns relacionamentos por aí, e fico chocada de ver como esta situação é comum.
Funciona assim: você conhece um cara (ou uma menina) legal. Inteligente, bom papo, simpático, sensível. Vocês saem juntos, o programa é ótimo, todo mundo volta para casa leve, leve. E aí é que começa o problema. Ele não liga, para ela não achar que ele está apaixonado. Ela cola no telefone, mas não liga de jeito nenhum. Na sexta, finalmente ele toma coragem e liga. Ela, que não ia fazer absolutamente nada, não aceita, dizendo que tinha um compromisso. Afinal, não é mulher de sair assim, de última hora, só porque ele não tinha nada para fazer (!).
Se é que um dia esta problemática se resolve, eles saem outra vez. Ficam juntos. Adoram. Um só pensa no outro, mas ninguém tem coragem de dizer. Afinal, estamos ficando, foi só esta vez, estamos namorando? A partir daí, se trava uma outra guerra por quem liga primeiro, quem demonstra primeiro que gosta. É claro que nem todo caso é assim. E não estou defendendo também, que alguém se entregue de imediato. É preciso um tempo para um descobrir o outro, para saber o que está sentindo. E de experiência própria, sei que coração não é algo que se entregue facilmente de bandeja. Estou falando é de não jogar. De dizer o que sente. Que gosta da companhia do outro, que quer ver outra vez, que achou legal. Pode ser que eventualmente, alguém não entenda e se aproveite desta sinceridade. Mas eu sempre arrisco. Até porque as pessoas mais interessantes, não se importam com estas bobagens. E a vida é muito curta (e o mundo muito complicado), para ser desperdiçada assim.
Quando o churrasco é melhor que a terapia
Um prosaico churrasco e uma coluna da revista TPM me fizeram acabar com uma encanação de séculos.
Explico: todo mundo que me conhece um pouquinho melhor sabe que eu tenho uma séria dificuldade
Ontem porém, no churrasco dos ex-alunos do colegial, percebi que posso até estar envelhecendo, mas do jeito que eu sempre quis. Ali, entre picanhas, farofa e o meu passado, pude perceber que embora eu ainda queira fazer muuuuuitas coisas, eu andei passando os últimos anos muito bem, obrigada.
É aí que entra a coluna Penetra, cujo link está aqui. Para quem não está com tempo, paciência ou vontade de ler, explico: o escritor diz, entre outras coisas, sobre como a gente esquece das coisas que viveu, das bandas que adorou, dos namorados que teve, dos filmes que viu, e sobre como a gente não tem como saber quais as experiências que vão emplacar na nossa memória daqui há 10 ou 12 anos.
Eu parei pra pensar nas minhas, não de uma vida inteira, mas do exato momento que marcou o fim do colegial até hoje.
Fiquei surpresa com a quantidade de coisas – boas e ruins – que me aconteceram. E como todas, sem exceção, me enriqueceram. A menina tímida que vivia tropeçando e nunca tinha saído de São Paulo (e muitos, que ficaram todo este tempo sem me ver, me imaginam assim ainda), cresceu. Saiu de casa, foi trabalhar, assumir enormes possibilidades. Lembra bem da primeira república onde foi morar, da dureza de animar até festas infantis para pagar o aluguel. Da primeira vez que viu um homem nu, e da primeira que disse eu te amo com tanta verdade que achou que fosse pra sempre. Do primeiro salto de asa delta, do apartamento quase sem mobília que dividia com uma modelo e do primeiro chopp no Rio também. Lembra de quando começou a apreciar jazz e vinho. Do medo de não conseguir se manter, de não segurar a barra, de não ser boa o suficiente. De manhãs frias em Paris e tardes quentes
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