O Haiti não é aqui. Pelo menos por enquanto.
Por um motivo ou por outro, eu acabei não escrevendo este post antes.
Mas é que além da visita que eu tenho que não está instalada em casa, eu estou hospedando em casa uma amiga, Patrícia.
Patrícia nasceu no Brasil, mas por razões que não vem ao caso, foi pequena para a França, e não voltou até agora. Tem duas semanas que ela está lá
Seu olhar sobre o país me fez refletir sobre muitas coisas, em especial quando ela me faz questionamentos como: “Por quê nos pontos de ônibus não tem os horários e as linhas?”. Ela tem razão. Seria uma solução simples, barata, e ainda que o horário não fosse rigorosamente cumprido, e nunca é, ajudaria muito quem pega ônibus a se organizar.
Fico sem ter o que responder quando ela me pergunta porque destruíram toda a Avenida Paulista se o time de São Paulo ganhou. Eu mesma não entendo. E fico sem resposta há varias perguntas. Não sei dizer porque a maioria das pessoas não dá bom dia ao motorista quando entra no ônibus. Nem porque se o sistema de saúde pública não funciona, a gente não reclama. Não sei dizer porque as pessoas se empurram no metrô, porque às vezes não cedem seu lugar aos idosos, e muito menos, porque não há vagas na universidade pública para todos. Não sei porque com tanta corrupção que ela vê diariamente no jornal, temos quase certeza que afinal, os culpados não serão punidos. Eu não sei várias coisas.
Por outro lado, a visita dela aqui tem me feito redescobrir São Paulo. Olhando as fotos que ela fez da cidade, parei para pensar em como é bonito o Mercado Municipal, o Parque do Ibirapuera, a Estação da Luz e todos estes lugares pelos quais a gente está cansado de passar e acaba não dando a mínima.
E quando a gente vai a um desses lugares, quando fala sobre o Carnaval, ou quando vejo a expressão no rosto dela ao ver as fotos das minhas férias de Natal, quando penso na quantidade de expressões culturais e de lugares lindos de doer que eu conheço no Brasil, e nos muitos amigos queridíssimos que eu fiz, eu penso que podia ser muito melhor, mas por ora, ainda vale muito a pena morar aqui.



Momento São Paulo Legal: A arquitetura show da Estação da Luz, um montão de frutas no Mercado Municipal e o fim de tarde no Ibirapuera: sim, eu gosto daqui!!
Momento eu estou ficando velha – ou ao menos, mais romântica.
Ando sentindo falta de uma época que, para muita gente, já passou.
Pois é, estou em um momento super careta.
Já tive esta conversa com umas amigas da faculdade e a maioria achou um absurdo, mas é assim que eu penso.
Estou sentindo falta de uma época em que abraços eram sinceros, e o amor durava mais que uma noite.
Época em que se conversava antes de beijar alguém, em que se curtia namorar. Época de namoros menos descartáveis, de amizades menos superficiais, de sentimentos mais sólidos, com cheiro de cera recém passada no taco da sala.
Ando sentindo falta de homens que colocam a mão no seu ombro quando você caminha na frente, que abrem a porta do carro e todos estes galanteios que hoje em dia são considerados cafonas. Ando sentindo falta de receber flores ao invés de e-mails, ligações no lugar de mensagens de texto, de abraço ao invés de scrap no Orkut.
Ando querendo sentar no chão da sala, tomar um bom vinho, assistindo a um DVD, de preferência em boa companhia.
Em vez de dançar a noite toda, de sair para badalar, ando querendo mesmo é andar de mãos dadas, tomar sorvete de casquinha dando risada ou simplesmente andar de bicicleta.
Com certeza, tem dias que o melhor a fazer é aproveitar o momento e mais nada - o que também é uma delícia.
Mas hoje, só por hoje, eu queria uma vida um pouquinho mais simples – e mais antiga, diriam alguns. Ou talvez esteja só ficando velha mesmo.
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