Na rua, no açougue e até no dentista...

 

  

Engraçado pensar que as melhores coisas do mundo estão por aí, nos lugares mais absurdos, não programados. E a gente às vezes nem se dá conta

Então, se você está cansada, desanimada, sem ninguém legal por perto, saia da toca. Rua. Toque sua vida. Vá dar uma volta na esquina, tomar um sorvete, ao açougue, à padaria, à locadora.

Porque normalmente, funciona assim: depois de 52 milhões de dúvidas, incertezas, ligações, você e aquele cara ótimo vão sair.

Você, que não é boba nem nada, faz aquela produção: corre na hora do almoço para ir à manicure, compra aquela blusa toda produzida e vai linda para um restaurante da moda encontrar a pessoa.

O restaurante tem uma fila enorme, a companhia está mal-humorada (e tem pouca coisa pior neste mundo que companhia mal humorada?), a comida não é tão legal (diga-se de passagem, como na maioria dos restaurantes da moda), e o que é pior, a conversa não empolga. Você fica ali, sentada, olhando para aquela gracinha que não tem nada pra dizer e se perguntando por que é que a vida não tem nada a ver com as histórias que a gente vê nos filmes.

Cansada, despede-se do ex-cara ótimo e vai pra casa dormir.

Aí, um dia desses em que nem está pensando mais nisso, levanta e sai apressada. O cabelo molhado, a roupa de todo dia e entra no carro correndo, porque tem hora no dentista. Chega lá sem um mísero batom, com a cara mais normal deste mundo, entretida terminando uma matéria que tem que entregar ainda esta semana.

Caneta na mão, olhar distraído e eis que lá, bem na sua frente, está a pessoa que vai fazer a maior diferença na sua vida: por um mês, um ano ou – quem sabe? – por muitos anos.

De repente, fica feliz de ter ido ao dentista. E de saber que a vida não tem nada mesmo a ver com as histórias que a gente vê nos filmes.

Deu pra mim

 

 

Não, não é nada disso que vocês estão pensando.

É que esta semana, contrariando todas as regras do bom senso, de boas maneiras e do manual dos politicamente corretos, eu estou mandando todo mundo que me irrita catar lata. É, assim mesmo, com essa linguagem pouco apropriada.

Cansei de amigos mais ou menos, de gente que diz que te acha bacana e não responde seus e-mails, de grosseria, de intolerância, de cara feia. Cansei.

Às vezes a gente perde um tempão pensando que fulano deveria ser mais atencioso, que sicrano poderia ser menos grosseiro, que beltrana poderia dar uma força. E aí acaba não tendo tempo pra gente linda, sincera, simpática e que está ali, do seu lado, só esperando você se tocar.

Por isso, este post é sim um recado. Para todos vocês que são grosseiros, desatentos ou abusam da minha paciência: vão procurar outra pessoa para aborrecer, que eu vou ser feliz agora e não mais tarde. E não tenho tempo pra gente assim.




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