Continho de terror
Cena 1: Manhã ensolarada de quinta-feira. Entro no carro e começo a dirigir para o trabalho. O retrovisor parece mais baixo. Estranho. Só eu dirijo este carro. Não, não é isso: o banco é que parece mais alto. Automaticamente olho para ele. Estou sentada em uma almofada meio alaranjada (!). Imagino porque motivo minha mãe (só pode ser ela) decidiu que eu preciso de uma almofada pra dirigir, já que meço 1,70m.
Cena 2: Chego ao trabalho. Ligo para casa imediatamente para perguntar para minha mãe qual é a finalidade da almofada. Resposta: Que almofada, ficou louca? Seu carro só tem uma chave e você deixou dentro na sua escrivaninha quando foi dormir. Como eu poderia ter entrado no seu carro? E porque faria isso para colocar uma almofada?
Cena 3: Com medo de entrar de novo no carro e encontrar um dobermann ou um similar, começo a trabalhar. Abro a gaveta. Eis que... (outra pausa dramática) lá dentro, junto com carimbo, tabelas de conversão, etc., surge um pente, destes fininhos, de plástico marrom. Eu, que tenho um cabelo enorme e super cacheado, desses no qual este pente não entraria nem por milagre, jamais comprei nada nem parecido. Perguntei a todos no trabalho se nenhum deles era dono do pente e fui recebida com negativas e olhares de “será que ela enlouqueceu?”. Resisti a vontade de completar: e uma almofada laranja, algum de vocês perdeu no meu carro?
Perguntas aos poucos mas queridíssimos leitores: de onde surgiu tudo isso? O dono da almofada é o mesmo do pente? Como ele (ou ela, ou eles, sei lá) tiveram acesso ao meu carro e a minha gaveta? Outros objetos bizarros surgirão? E com que objetivo?
Ando com medo. E não é nem de lagartixa. É de coisas bem mais simples, como abrir uma caixa ou folhear um livro.
Médias
Preguiça de escrever no blog, dor de cabeça, ressaca pós-carnaval. Este é sem dúvida, o dia mais útil do ano. Aquele que não tem dúvida: tem trabalho, tem faculdade, tem todos os compromissos deste mundo. E eu não sei se eu estou preparada.
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Além da ressaca pós-carnaval, vem também uma certa dor de cabeça por ter ficado até tarde da noite na casa de Daniel assistindo ao Oscar. Não sei o que foi pior: ver a péssima Michelle Williams, que interpretou a mulher de Ennis Del Mar (Heath Ledger), pendurada no braço do próprio (sim, eles se casaram depois das filmagens), vestindo um horroroso vestido amarelo canário ou constatar pela milésima vez a hipocrisia da Academia, que além de não premiar o palestino Paradise Now como melhor filme estrangeiro, ainda tirou de Brokeback o prêmio de melhor filme para dar ao insosso Crash. Racismo tudo bem, agora, homossexuais... o mundo caminha a passos lentos, bem lentos.
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E antes que alguém pergunte, eu ainda não assumi (nem quero) nenhum ar blasé com relação ao Carnaval: amo, amo de paixão. O meu teve tudo a que eu tenho direito: praia, sol, beijo na boca, tequila e música, muita música. Porque nestas horas eu não estou fazendo a mínima questão de ser alternativa.
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Da série “eu odeio”: detesto lição de moral. Dia desses, na faculdade, alguém perguntou se os demais apareceriam na aula de sábado. É direto de cada um ir, claro, mas não custa perguntar, porque se ninguém for não há falta. Então quem sentisse uma vontade desesperadora de assistir aula de Economia no sábado pós-carnaval, era só dizer que iria e ponto. Resposta obtida: “Gente, eu vou sim. É preciso se conscientizar que o colegial acabou e que um pouco de responsabilidade não faz mal a ninguém. Precisamos levar o curso a serio.” Soou mal. Não somos crianças, sabemos que o colegial acabou e dispensamos a lição de moral. E faltar em um sábado não quer necessariamente dizer “não levar o curso a sério”. Não parou por aí: e-mail coletivo na segunda: “Pra apaziguar a minha consciência depois ter cometido o pecado de ir a aula sábado (herege que sou), aí vai o programinha do professor de economia.” Yes, dispensamos a lição de moral e a ironia.
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