As (boas) surpresas da vida
Não gosto de banalizar sentimentos. Achei uma graça uma comunidade que encontrei no Orkut outro dia, chamada “Eu te amo não é bom dia”. Eu te amo é coisa séria, que eu só consegui dizer para duas pessoas até agora. E era mesmo amor de verdade. Sou mais presa a gestos do que a palavras. Palavras, como se sabe, às vezes são ditas para iludir. Os gestos é que fazem a diferença.
Com amizade, porém, é diferente. Existem os amigos para toda vida, para os quais tudo é permitido. São pessoas assim que seguram a barra quando o seu pai morre, que aparecem para ajudar na milésima mudança de apartamento, que te ouvem atentas quando chega aquela separação inevitável. Que mesmo com o coração apertado, dão força para você mudar de país, de cidade, de corte de cabelo, de namorado. À esses, por mais que não precise, as declarações são freqüentes.
Só que existe uma outra categoria de amigos. São amigos recentes, mas que por razão das circunstâncias, como um novo trabalho ou uma nova faculdade, acabam convivendo com a gente mais do que qualquer pessoa.
Com esses a convivência é quase sempre muito prazerosa e divertida, ainda que delicada. Lógico que existem aqueles que você percebe de cara que vão se tornar amigos pela vida. Mas como as pessoas estão se conhecendo, testando os limites e como é tudo bem recente, vez por outra, por não ter muita proximidade com a pessoa, você se pergunta se realmente ela é sua amiga. Não dá pra saber assim de cara. Mas que bom quando você percebe.
Foi assim comigo. De uns 20 dias para cá, eu descobri que tenho dois amigos que eu nem sabia. E de uma forma tão bonita, tão delicada, que resolvi fazer um post. Nada de scraps rasgados, de e-mails dizendo o quanto são meus amigos. Sem declarações públicas de amizade, nem pieguices. Um deles me falou de uma música e de uma fragilidade minha com tanta graça que me fez notar nele duas características fundamentais num grande amigo: confiança e sutileza. O outro não deu abraço, não disse que gosta, nem nada disso: veio conversar e falou da vida, da minha e da dele, com tanta simplicidade e despojamento, que me espantou. E, mal sabe, ganhou uma amiga para sempre que precisar. Eu corro um grande risco de ter feito um texto bem piegas. Mas com tanta coisa chata, gente invejosa e do mal por aí, que delícia poder escrever um post assim. Eu tenho cada vez mais certeza de que Vinícius é que tinha razão: “Amigo não se faz, se reconhece”.
Um beijo, meninos.
|
|
||||
|
||||
|
|
||||
|
||||