Post descontrol pré aniversário

 

 

Perguntada ontem à noite sobre como gostaria de comemorar toda esta alegria de fazer 27 anos, resolvi fazer uma lista totalmente descontrol. Desejos não são feitos todos para serem postos em prática, mas enfim, desejar é sempre bom...

 

Voilà:

 

1) O básico de tudo: Um bar bacana, talvez uma pista, Dani, um pessoal da Cásper, Tati e a Alê, não estivesse ela do outro lado do oceano. Ivo (cadê você?), D’Artagnan, especialmente liberado pela digníssima, Thaís e Sotero (cadê vocês ao cubo?). Eu ia tomar tequila, dançar, dar risada e voltaria para casa com a sensação de que foi o melhor aniversário do mundo, perto de uma parte dos meus amigos (não, não vai dar nunca pra reunir todo mundo – esse povo se espalha).

 

2) Um lugar simples e sossegado, bem longe de festas e eventos sociais envolvendo 6 bilhões de pessoas. O Ibirapuera, talvez, mas não necessariamente. A gente ia falar de assuntos banais, bem descomplicados. Ele vem de longe, conta as novidades, a gente fala da vida e dos amigos em comum. Fim de tarde, um restaurante italiano, um vinho. Precisa mais?

 

3) Cena 1: Spot. Prosecco. Eu e Dani. Todas as fofocas do mundo, milhões de risadas e eu, abrindo a caixa do sapato mais bacana e classe desse mundo. Cena 2: Casa do Dani, vários episódios de Sex and the City e muito brigadeiro de panela.

 

4) Paris. Almoço no restaurante chinês do Duzième, estação Michel Bizot. Pausa no Sephora. Andar a pé até as Tulleries, comprar um pijama de criança na loja da Disney. Parar num café, com a impressão de que o Chico Buarque vai atravessar a porta a qualquer instante (o que nunca acontece). Crepe de queijo e de nutella com banana. Andar despreocupada pela Rue Saint. Denis. Com que companhia? Absolutamente só, sem parar pra ver e-mail, sem atender ao telefone. Porque às vezes nada melhor do que estar toute seule.

 

5) Minha casa. Minha mãe, minha irmã, meus sobrinhos. Meu bolo, que só a minha mãe sabe fazer. Brigadeiro e guaraná. Telefonemas dos amigos, mensagens de texto, abraços. Simples e bom.

 

6) Descontrol total: ele avisa que ao menos por hoje, é só a gente. Não haverá muitas palavras. Praticamente tudo o que precisa ser dito já foi dito. É sábado e temos a tarde inteira pela frente. Nada de bar, restaurante, cinema. Eu. Ele. O beijo na boca mais gostoso dos últimos tempos. Tudo mais o que a gente puder imaginar. Paris é bom, prosecco é ótimo. Mas têm horas em que felicidade mesmo é isso.

Vinte e sete com sol (e um sorriso no rosto)

 

 

São 16:23 de uma tarde de segunda-feira. Meu micro reproduz o Samba Esquema Novo, de Jorge Ben Jor, e eu me dou conta, sei lá porque, de que falta menos de um mês para o meu aniversário.

Faz muito sol lá fora, apesar do friozinho do outono, e ao pensar nisso, sorrio pensando que faz sol aqui dentro também.

É muito difícil não passar por um momento balanço nesta época. E eu suspiro aliviada em pensar que apesar de todas as minhas esquisitices sobre estar envelhecendo, eu estou contente com a chegada iminente de mais um aniversário.

Eu não estou chegando aos 27 casada, nem com filhos, nem namorando. Não comprei um apartamento, não tenho um cachorro, não plantei uma árvore, não escrevi um livro. Nada disso, porém, abalou a minha existência.

Eu chego aos 27 não com uma, mas com várias histórias que arrepiariam os cabelos dos meus netos, se netos eu tivesse. Nesse tempo todo eu morei em um monte de cidades, magoei algumas pessoas, fui magoada outras tantas.

Dancei em pistas vazias e lotadas, tomei porres de tequila e beijei várias bocas, ah, como eu beijei. Eu andei de avião, de barco, de jipe, de carroça e no meu próprio carro. Andei a pé, a cavalo. Disse eu te amo, eu te odeio, eu te quero e não disse nada, o que muitas vezes disse tudo. Fiz as malas, montei apartamento, desmontei. Já chamei alguém (ou vários alguéns) de meu namorado, meu marido, meu amor e até de meu. Abracei um labrador, me hospedei num castelo, expressei sentimentos complexos em uma língua que não domino. Reparti um sorvete, lambuzando a mão. Corri na grama e saltei de asa delta. Disse sim, para alguém muito mais novo e para alguém muito mais velho. Eu transei no chão, no carro, no elevador, apaixonada, atraída, para me despedir e para recomeçar.

Eu chorei muito e perdi o fôlego, de não imaginar que podia ser tão feliz. Vi o pôr do sol na praia mais perfeita desse mundo, com uma companhia idem, querendo que o mundo parasse ali. Mas ele não parou. E tantas vezes eu recomecei.

De tudo que eu já fiz, vivi ou senti, só uma coisa não me aconteceu. Ter desistido de ser feliz, ainda que eu não seja em muitos momentos. Ou de amar, ainda que não seja sempre correspondida. Ou de arriscar, por medo de não dar certo.

Eu vou fazer 27. Não há medo, culpa ou angústia nessa afirmação. Talvez seja porque faz sol, muito sol aqui dentro.




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