Um mundo estranho (e excessivamente verde-amarelo)
É só começar a época de Copa e o lido mais clichê de certas pessoas (e de certas pautas) começa a aparecer. Eu, por exemplo, sou uma mulher que sabe muito bem o que é um impedimento – mas não tenho o menor interesse. 1X 0 contra o clichê. Por outro lado, quando vi Lucas Neill (Austrália) e Pascal Zuberbuehler (Suíça), resolvi me jogar geral no clichê de que mulher fica reparando nos jogadores. Eu nem sou disso, mas eles merecem.
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Junto destes clichês e de milhões de chicletes da Copa, chocolates da Copa e até sabonetes da Copa (sim, eu vi isso), surgem também as piores estratégias de marketing de todos os tempos. Em uma revista feminina desta semana veio encartada uma promoção que até leigas como eu sabem que vai dar totalmente errado (além da cafonice explícita). Um motel que – dizem – é até bacana daqui de São Paulo, lança um desconto para os dias de jogos do Brasil e completa: “Venha ver a seleção abraçadinha com seu amor”. Ok? Que homem (e que mulher bacana, diga-se de passagem), vai trocar uma turma ótima de amigos, cerveja e aquela farra que só acontece na época da copa para se enfiar num motel. Não que eu não goste. Eu gosto. E muito. Mas assistir o jogo sentada em cama redonda com espelho no teto em duas pessoas é deprê. E transar com o Galvão Bueno de fundo definitivamente está fora de cogitação, sob pena de jamais conseguir transar. Agora nada impede de se comemorar depois....
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Sinal claro de fim dos tempos: depois de passar uns 20 minutos tentando imaginar que tipo de público o Citibank pretende atingir com uma propaganda de cartões da bandeira Credicard estrelada (?) por Odair José, fui expressar minha indignação para alguém que trabalha em imprensa especializada em publicidade e recebo a seguinte resposta: Ah, você não sabe? Odair José agora é hype. É, sempre tem alguém mais antenado que você. Sempre.
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Não, eu não tenho nada contra Copa, como inclusive você pode ver acima. É um período bacana, com mais desculpas para sair, comemorar e tudo o que vem disso. Mas será que o leite que eu tomo, o desodorante que eu uso, o bar onde eu vou e tudo o que me cerca tem que ser travestido de verde-amarelo?
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