É festa
Eu sei que este blog está ficando excessivamente adolescente, mas acontece que é adolescente mesmo a emoção que eu sinto quando vejo o Chico. Eu juro que vou parar de fazer posts descontrolados a respeito dele, sob pena de perder os meus poucos leitores... Mas eu preciso dizer: o show foi lindo!!! E somado com o meu trabalho que eu adoro, com os amigos de verdade que eu tenho do meu lado, com a festa bacana que eu tenho hoje e com o final de semana que eu tenho certeza que vai ser de muito sol e diversão, eu só posso mesmo dizer: eu estou mega-feliz! Se não tem problemas? Alguns e até meio complicados... mas não o suficiente para superar as coisas bacanas.
E sim, vai levar um tempo para eu esquecer a expressão do Chico cantando esta música aí embaixo... J Até porque essa sim, tem a ver com o momento...
Cantando no Toró - Chico Buarque
Sambando na lama de sapato branco, glorioso
Um grande artista tem que dar o tom
Quase rodando, caindo de boca
A voz é rouca mas o mote é bom
Sambando na lama e causando frisson
Mas olha só
Um samba de cócoras em terra de sapo
Sapateando no toró
Cantando e sambando na lama de sapato branco, glorioso
Um grande artista tem que dar lição
Quase rodando, caindo de boca
Mas com um pouco de imaginação
Sambando na lama sem tocar o chão
E o tal ditado, como é?
Festa acabada, músicos a pé
Músicos a pé, músicos a pé
Músicos a pé
Cantando e sambando na lama de sapato branco, glorioso
Um grande artista tem que dar o que tem e o que não tem
Tocando a bola no segundo tempo
Atrás de tempo, sempre tempo vem
Sambando na lama, amigo, e tudo bem
Sambando na lama de sapato branco, glorioso
Um grande artista tem que estar feliz
Sambando na lama e salvando o verniz
Cantando e sambando na lama de sapato branco, glorioso
Um grande artista tem que estar tranchã
Sambando na lama, amigo, até amanhã
É hoje!
* Ou acabou a espera, como diz o famoso colega de redação
Hoje não tem carro batido ou cara feia na faculdade que tire a minha empolgação. Depois de 7 anos, estou a poucas horas de ver Chico Buarque de novo, a poucos metros de mim.
É bobo, eu sei, mas hoje quando liguei o discman (eu sou antiga e ainda não tenho MP3 player) hoje na redação quase tomei um susto ao pensar que daqui a pouquinho, vai ser ao vivo. Quando eu dirigia para o trabalho hoje, fiquei pensando em qual música postaria aqui. Mas se eu for colocar as minhas favoritas o post vai ter mil páginas, se colocar uma só vou ser injusta com as outras e se postar uma que tem a ver com o meu momento de vida, haja paciência para agüentar as pessoas que só fuçam nesse blog tentando imaginar mil porquês para a música (sim, tem mais essa agora – mas é assunto para outro post).
Então eu fiquei com uma que eu também acho liiinda, mas que não é das preferidas e, sei lá por que, veio a minha cabeça na hora do almoço e eu agora sorrio toda vez que cantarolo. Não porque me lembre um momento especial, ou porque tenha a ver com a minha vida, nem com alguém, nada disso. Mas porque, mesmo com todos aqueles motivos lá em cima para ficar de péssimo humor, eu não estou não. Tem outros mil pra não ficar, e eu estou é feliz.
Suburbano coração
A casa está bonita
A dona está demais
A última visita
Quanto tempo faz
Balançam os cabides
Lustres se acenderão
O amor vai pôr os pés
No conjugado coração
Será que o amor se sente em casa
Vai sentar no chão
Será que vai deixar cair
A brasa no tapete coração
Quando aumentar a fita
As línguas vão falar
Que a dona tem visita
E nunca vai casar
Se enroscam persianas
Louças se partirão
O amor está tocando
O suburbano coração
Será que o amor não tem programa
Ou ama com paixão
Mulher virando no sofá
Sofá virando cama coração
O amor já vai embora
Ou perde a condução
Será que não repara
A desarrumação
Que tanta cerimônia
Se a dona já não tem
Vergonha do seu coração
Como tiver que ser
E então eu descobri que aquela inquietação ruim que eu senti o dia todo tinha uma razão de ser. Que podia ser chamada de premonição, de sexto sentido ou de sei lá o quê, e que quando provocada acabou.
Do nada, quando eu achava que era mesmo só uma coisa da minha cabeça, ela estava lá: me chocou, me deixou dois ou três minutos olhando para o computador enquanto a cabeça trabalhava a milhão. Não só pelo que foi dito, mas pela sinceridade de quem disse. De vez em quando a gente tem certeza de que pode confiar em alguém da forma mais chocante possível. Era a minha vez. Dava para recuar, fechar a janela, bloquear do micro, da vida e me por completamente segura. Mas eu, que não aprendo nunca, percebi que não importa se isso vai durar mais um fim de semana, mais dois ou mais dez ou muito mais, não posso deixar de lado a frase que já está desenhada, prontinha para ser tatuada nas minhas costas: “A salvação é pelo risco, sem o qual a vida não vale a pena”. Ninguém tatua algo em que não acredita. E eu não seria eu se tentasse me esquivar. Pelo tempo que for, viver sempre vale a pena. Já está valendo, aliás.
Para cada mágoa... milhões de coisas boas
Se é quase certo que algumas coisas não vão bem e que isso me magoou evidentemente no sábado, é certo também que várias outras vão super ok.
Chega a ser injusto falar daquilo que chateia e deixar de lado as coisas mais bacanas deste mundo, que são quase sempre simples, e por isso mesmo ótimas.
E este post é mesmo só pra homenagear os almoços de domingo recheados de risadas e experiências gastronômicas, os meus sobrinhos fazendo farra no meu quarto, os abraços sinceros e os manobristas eficientes, o sorvete de limão, as leitoras de Gmail em horário comercial, aos passeios de bicicleta no Ibirapuera, a minha caipirinha cheia de morangos bem vermelhos e a todos aqueles que entendem a importância de se tratar os outros com delicadeza.
Que seja homenageada também a poesia do Chico, o mar de Ipanema nos sábados de sol, e os passeios de cavalo no feriado. Os desafios diários do trabalho, que me fazem sentir viva e realizada. As pessoas que realmente valem a pena na faculdade, e a faculdade em si, que me ajuda a entender um pouquinho mais sobre a profissão que eu quero exercer pelo resto da vida. E a ansiedade engraçada de uma nova amiga, aos almoços de sábado com muuuito suco de tangerina, o melhor penne com limão do mundo e uma companhia fofa. A divertida falsa pretensão do colega de redação, e o elogio sincero a minha fantasia no sábado. Aos beijos que eu dei em gente que valia a pena. Sem esquecer a graça dos almoços com um amigo de longa data, os novos amigos e todas as perspectivas de boas coisas que estão por vir em várias áreas da minha vida. E a todas as pessoas, que, de uma maneira bacana, souberam ou sabem fazer a diferença, não passaram em branco e vão ser sempre lembradas com carinho, estejam perto ou distantes. De vez em quando a gente é bem magoada. Sorte que alguém (ou algo) sempre nos faz lembrar o quanto a vida é cheia de coisas incríveis.
Funciona, mas não vale a pena
Fico incomodada com algumas atitudes que não sei se tem a ver com as pessoas que eu conheço ou com o mundo em geral. Não falo de ninguém específico, mas de atitudes diversas em pessoas diferentes.
Para algumas delas, ficou combinado que a gente tem que ser leve, não se aborrecer facilmente, não guardar mágoas. Acho isso ótimo. Mas nada disso é igual a grosseria, a falta de palavra ou a tratar as pessoas meio de qualquer jeito. Nem igual a ser frio.
Acho que eu tenho um problema sério, não compatível com este jeito de se relacionar. Eu me importo. Tenho bilhões de defeitos, mas não consigo ver um amigo de verdade chateado sem fazer nada para ajudar. E quando algum deles é grosseiro ou indelicado comigo, eu não consigo fingir que está tudo ok. Porque eu ligo. E me chateio.
Mas pior do que isso é quando se importar é mal interpretado. Ter que explicar que o seu interesse tem a ver com amizade, com gostar e com querer sinceramente que o outro fique bem e não com vontade de ficar ou namorar é no mínimo constrangedor.
Se for falar de relacionamentos, então, é muito mais complicado. Alguns deles (não todos, para minha sorte eu ainda tenho encontrado gente que não é assim), se transformam em verdadeiros jogos de gato e rato: as pessoas até se curtem, mas fingem que não se importam, para não parecer que estão interessadas e aí perderem o interesse da outra pessoa. Ficou esquisito, confuso? Mas às vezes é assim. Nesse caso, o interesse pelo outro é muitas vezes confundido com estar “ganho”, quando na verdade é justamente quando se pensa assim que se pode perder.
O que deveria ser algo bacana, a idéia de ir descobrindo o outro devagar, de saber se vocês combinam, se podem ficar juntos, se é alguém pra quem se pode entregar o coração de verdade, vira só um joguinho, para ver quem finge se importar menos, para deixar o outro mais interessado.
Talvez o segredo seja este em qualquer área: não se importar muito com o outro, fingir que uma grosseria não te chateia, não demonstrar muito interesse real na vida de ninguém. A gente vive menos assim, se aproxima menos das pessoas. Mas se machuca menos. Legal. Mas eu não sei se um dia vou aprender a fazer assim.
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