Para um moço lindo, talentoso e absolutamente incrível
Eu hoje fiquei pensando em como a gente perde certas oportunidades na vida. Oportunidades de ser feliz mesmo, dessas em que, como dizem as avós, o cavalo passa selado na nossa frente e a gente não monta.
Eu me orgulho de só me arrepender das coisas que eu fiz, já que eu não deixo nada para trás por medo. Mas tem chances que eu perdi, por imaturidade, inexperiência e impulsividade que são duras de engolir.
Ok, a vida anda para frente e não há nada que eu possa fazer para mudar o caso em questão.
Exceto talvez, dizer por aqui, se é que depois de quase dois anos você ainda lê isso, que eu me arrependo.
Me arrependo de ter sido afobada. De querer tanto a sua delicadeza, a sua gentileza e o seu carinho por perto e me atrapalhar. E me atrapalhando, acabei sendo menos gentil, menos delicada e infinitamente menos sua companheira do que você merecia.
Me arrependo porque você era para mim exatamente tudo aquilo que eu queria ser para você: e por medo, traumas criados por outras pessoas, imaturidade e insegurança, eu não consegui demonstrar nem um terço do quanto você era importante e querido.
Me arrependo de não poder ter te dito isso olho no olho, por eu ter sido tão difícil quando a hora de dizer adeus chegou.
Não espero nada com essas palavras: você vive uma vida bonita, parece feliz, e isso para mim é muito mais importante do que você imagina. Eu também vou seguir bem: refiz minha vida repleta de histórias bacanas, gente legal, realizações, e acho que ainda vou ter muitas outras boas histórias para contar.
Mas acho que porque nunca fiz um post parecido, esse ficou entalado na minha garganta todos estes anos. E porque pensei com carinho em você a semana toda, não sei bem porquê.
Se você ler, queria que você soubesse: talvez a gente não se veja nunca mais e seremos felizes em lugares distantes um do outro, possivelmente. Mas aquelas manhãs com queijo de manteiga, os maltados que a gente tomou junto, a tarde em que você dormiu no meu colo, o festival de cinema francês, todas as noites que a gente namorou bem muito ao som do Chico e ao som do Chet e tudo mais que vivemos vão estar para sempre guardados na minha memória, porque, com os seus defeitos e qualidades, para mim e para o que eu procuro nessa vida, você é perfeito.
Seja muito, muito feliz. Não conheço ninguém que mereça mais.
Divagações bobas em uma tarde quente
Eu tinha uma amiga que chamava Alessandra (não essa de agora) e ia a casa dela estudar geometria. Nesta época eu era super tímida e gostava de um menino que chamava Rogério, que nem sabia que eu existia.
Justamente porque eu era um poço de timidez e estudava em uma escola onde a renda familiar das outras meninas era 450 vezes maior do que a minha, eu tinha poucas amigas. E como tinha poucas amigas, eu lia muito. Ler muito e a afeição que eu tenho por algumas pessoas foram algumas das poucas coisas que não mudaram na minha vida desde então.
E eu só parei para refletir sobre tudo isso porque fuçando em uma dessas comunidades de colégio, achei a tal da Alessandra aí de cima.
Será que todo mundo muda tanto dos 13 aos 27? O que será que mais 13 anos farão de mim? Será que eu serei completamente diferente do que sou hoje quando tiver 40 anos?
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