Eu me importo. Azar o meu.

 

 

Eu tinha um amigo. Eu gostava muito dele, apesar de ser recente. Era assim meio jovem, assim meio ingênuo, e eu gostava de ter ele por perto. Sei lá porque, eu sempre pedia um abraço. Era uma piada interna, minha forma de brincar, de dizer “olá, tudo bem? Sua amizade é bacana...” enfim, de me fazer presente.

 

Um dia, por um motivo bem banal e bem imbecil a gente parou de se falar. Muitos, mais muitos dias depois, eu achei que seria bacana acabar com essa bo-ba-gem. Na minha cabeça, era uma amizade de verdade, e não falar com ele era uma besteira em uma amizade que eu considerava.

 

Aí eu tentei voltar a falar e não obtive resposta. Fiquei chateada, mas passou. Então um amigo em comum veio me alertar que uma amiga havia pedido um abraço e ele havia respondido: “ai, que jeito mais Flávia de ser...”, em tom de reprovação.

 

Eu não fiquei chateada, fiquei triste mesmo. Triste de ver como uma pessoa que você considerava não dá a mínima para o que você pensa ou sente. Triste porque de vez em quando a gente tem a impressão de que tem muitos colegas, muitos conhecidos, uma quantidade absurda de contatos. Mas amigos, amigos de verdade, são no máximo uns 10 – e que é uma sorte poder contar com tantos.

 

Mas eu fiquei triste mesmo é de pensar que com tantas coisas e pessoas bacanas ao meu redor, eu ainda me importo com esse tipo de atitude. E me chateio. Nesse ponto, é mesmo um saco esse jeito Flávia de ser.

Fase nova, texto bonito

 

 

Eu nunca fui muito de poesia, nem de ficar copiando aqui textos de outros autores. A proposta do blog sempre foi usar o espaço para escrever tudo aquilo que não caberia em outro lugar, um espaço sem compromisso.

 

Mas sempre tive meus autores preferidos, quer de prosa, quer de música. Chico Buarque e Clarice Lispector sempre me deram a egocêntrica impressão de estarem escrevendo para mim. E a pretensiosa vontade de um dia escrever 10% do que eles escrevem.

 

Acontece que inauguro uma nova fase: com data para acabar, isso é certo, ainda que esta data ainda não seja conhecida. E como essa fase foge do padrão de tudo que eu tenho feito até agora, ficou difícil defini-la. E para evitar a criação de mais um post que diz, diz e não diz nada, achei que era mais fácil definir esta fase com uma frase de Clarice, que diz por mim bem melhor do que eu poderia fazer.

 

"Estou atrás do que fica atrás do pensamento. Inútil querer me classificar: eu simplesmente escapulo. Gênero não me pega mais.
Além do mais, a vida é curta demais para eu ler todo o grosso dicionário a fim de por acaso descobrir a palavra salvadora.
Entender é sempre limitado. As coisas não precisam mais fazer sentido. Não quero ter a terrível limitação de quem vive
apenas do que é possível fazer sentido. Eu não: quero é uma verdade inventada.
Porque no fundo a gente está querendo desabrochar de um modo ou de outro”.

 

Finito

 

 

É sempre muito triste dizer adeus, mesmo quando você sabe que é a melhor coisa a fazer. No mais, é fazer o de sempre: suspirar fundo e seguir a vida, esperando que um dia você entenda meus motivos para ter feito isso.

 

Desejo que antes de mais nada, você seja feliz: os bons momentos eu vou guardar pra sempre comigo e você tem aqui uma amiga pra vida inteira, nem preciso dizer.

 

Força, luz e muito sucesso. Eu não duvido que você vai ser muito feliz. Não duvide você disso, nem de que eu vou te adorar pra sempre, viu?

 

Às vezes uma música diz muito mais do que mil explicações que só nos exporiam. Pode ser que este post, só por existir, exponha. Mas não ia nunca deixar de registrar todo o meu carinho por aquele que foi um dos melhores companheiros deste mundo.

 

 

Leve

 

Não me leve a mal

Me leve à toa pela última vez

A um quiosque, ao planetário

Ao cais do porto, ao paço

 

O meu coração, meu coração

Meu coração parece que perde um pedaço, mas não

Me leve a sério

Passou este verão

Outros passarão

Eu passo

 

Não se atire do terraço, não arranque minha cabeça

Da sua cortiça

Não beba muita cachaça, não se esqueça depressa de mim, sim?

Pense que eu cheguei de leve

Machuquei você de leve

E me retirei com pés de lã

Sei que o seu caminho amanhã

Será um caminho bom

Mas não me leve

 

"Escuta: eu te deixo ser, deixe-me ser então..." Clarice Lispector

 




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